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Congo
 

BANDAS DE CONGO

As primeiras Bandas de congo teriam surgido no Espírito Santo por volta de 1855, segundo relato do Pe. Antunes Siqueira.

Banda de Congo é um Conjunto musical típico das regiões litorâneas do Espírito Santo, a banda de congo toca e canta principalmente em festas religiosas, como as de São Benedito no Município da Serra, São Pedro no Município de Vitória, São Sebastião em diversos Municípios e Nossa Senhora da Penha no Município de Vila Velha.

São grupos compostos por pessoas simples, que utilizam instrumentos rudes feitos por eles mesmos com pau oco, barricas, taquaras, peles de animais, folhas-de-flandres e ferro torcido.

Tambores, caixas, cuícas, chocalhos, casacas, ferrinhos ou triângulos, pandeiros. Ao som desses instrumentos, homens e mulheres cantam velhas e tradicionais toadas, em que há referências à escravidão, à guerra do Paraguai, aos santos de devoção popular, ao amor, à morte e ao mar.

São toadas marcadas pelo alongamento das vogais finais no fecho dos versos, o que confere um certo ar melancólico entre as batidas de percussão.

Grupo do tradicional folclore capixaba, as bandas de congo aparecem registradas em documentos antigos.
As folclóricas Bandas de Congo do Espírito Santo, que perpetuam um ritmo inédito, herdado de índios e negros, parte integrante da cultura popular “capixaba”. Notável pela marcação rítmica dos “congos”, ou seja, tambores, e das “cassacas”, um “reco-reco” de cabeça esculpida – esmeradamente, as bandas de congo são indispensáveis não só nas festas de São Benedito, santo padroeiro dos náufragos desde o século XIX, como também nos bailes e espectáculos de novos artistas como o grupo Manimal, que lançou um novo movimento musical chamado “rockongo”, misturando o congo à música “pop” universal, tendo-se já apresentado em digressão pela Europa, inclusive Portugal, entre 1998 e 1999.

 

 

 

 

 

 

 

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Folclore
 

FOLCLORE

ORIGEM DA PALAVRA FOLCLORE

O termo "Folclore" (folk=povo; lore=saber) foi proposto pela primeira vez pelo antropólogo inglês Willian John Thomas, em 22 de agosto de 1846, quando sugeriu, em artigo publicado numa revista inglesa, que fosse dado o nome de Folk-lore a tudo aquilo que abrangesse as "antiguidades populares", solicitando cooperação para o levantamento de dados sobre os "usos e costumes tradicionais" do povo. Decorreram vários anos para que a proposta formulada por Thomas fosse aceita e somente em 1878, ao ser fundada a Sociedade de Folclore em Londres, foi finalmente confirmada a designação Folk-lore.

O dia 22 de agosto passou a ser considerado o dia do folclore porque foi a data em que a palavra foi publicada pela primeira vez, na Inglaterra.

O QUE É FOLCLORE

Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. Muitos deles deram origem à festas populares, que ocorrem pelos quatro cantos do país.

FOLCLORE BRASILEIRO

O Folclore brasileiro, por ser o Brasil um país de dimensões continentais, é rico em conteúdos e lendas. É conhecida também como a "Mitologia Brasileira".

Algumas lendas, mitos e contos do folclore brasileiro:

Boitatá

Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".

Boto

Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Curupira

Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

Lobisomem

Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.

Mãe-D'água

Encontramos na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água : a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.

Corpo-seco

É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.

Pisadeira

É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.

Mula-sem-cabeça

Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro

Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.

Saci-Pererê

O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

FOLCLORE CAPIXABA

O Espírito Santo possui um vasto e opulento acervo de tradições populares, esses fatos folclóricos, ele os recebeu e adaptou do contingente colonizador.

A maior parcela do folclore capixaba tem suas raízes nas tradições de Portugal: costumes, crenças, devoções, festas, lendas, histórias, ditos, provérbios, juras, xingamentos, parlendas e adivinhas como quase todo o seu cancioneiro musicado ou não.

Os negros — como ocorre em quase todo o Brasil — deixaram marcante registro de sua permanência em terras do Espírito Santo: nos batuques, nos "tambores", e nos jongos e caxambus; na cabula e outros aspectos do folclore mágico; na música e no ritmo das bandas de congo; na culinária doméstica; na fala popular; nas crendices e superstições.

Dos indígenas, foram erdadas velhas técnicas de trabalho, artesanato rústico e, tudo o indica, o típico instrumento musical das Bandas de Congos: as casacas ou casacos, reco-reco de cabeça esculpida.

Resultante do contato com elementos imigrantes e seus descendentes, grande cópia de fatos folclóricos se fixou no Espírito Santo. Os açorianos, aí deixaram hábitos, crenças, modismos de linguagem, trovas, cantigas, talvez o uso amiudado da viola e versos a ele referentes. Da colonização italiana, alemã e polonesa há vestígios na fala da região, na culinária, em algumas técnicas de trabalho, em vários "ritos de passagem" no canto e na música, nos jogos e folguedos, nos costumes epocais.

Quanto aos contatos com gente das regiões limítrofes, releva acentuar a influência do folclore baiano, de maior presença.

Tudo isso constitui o folclore no Espírito Santo.

Há, porém, dois aspectos populares que (parece) — sem correspondentes hoje em outras regiões do Brasil — representam o folclore do Espírito Santo: as Festas do Mastro e as Bandas de Congos.

Mastros de santos houve ou há em vários Estados. grupos musicais populares, também. Mas a Festa do Mastro e as Bandas de Congos capixabas são diferentes.
As Bandas de Congos persistem no Espírito Santo. Delas há notícias que datam do século XIX.

O folclore capixaba é muito rico e interessante, abaixo serão descritas algumas manifestações, lendas , histórias e crendices capixabas.




 

 

 

 

 

 

 

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Folia de Reis
 

FOLIA DE REIS

A Folia é uma tradição européia dos países de tradição católica que chegou ao Brasil, trazida pelos portugueses. As Folias de Reis são encontradas no sul do Espírito Santo, em numerosos grupos, principalmente nos municípios de Muqui, Mimoso do Sul e Alegre. Eles geralmente se organizam nas fazendas de café e pecuária e muitos fazendeiros se orgulham das folias de seus empregados e colonos. Como as outras modalidades de reisados, brincam todos os sábados, de 6 de janeiro a 3 de fevereiro, dia de São Braz, quando termina o ciclo dos festejos natalinos. Numerosas são as Folias que se apresentam a partir do dia 6 de Janeiro em louvor aos Santos Reis Magos vindas das redondezas. A diferença com o Reis-de-Boi do norte do Espírito Santo e extremo sul da Bahia é que as Folias de Reis não têm o boi e a bicharada.

Em alguns lugares, os proprietários rurais proibiam tais manifestações da alma popular e em alguns municípios o Delegado não deixava as Folias saírem para não enfeiar o aspecto citadino da sua região. Mas Muqui queria abraçar aquilo que a imaginação da crença pinta com sangue, os Encontros de Palhaços e as Brigas de Folias, com seus desafios e confrontos, no meio da maior confraternização. Dr. Dirceu Cardoso, apaixonado pelas Folias, instituiu oficialmente o dia do Encontro das Folias, em 1950, quando assinou a Lei decretando o Dia de Reis feriado na cidade, marcando em Muqui o primeiro grande Torneio das Folias para o ano de 1952. Seria formada uma comissão julgadora nomeada pelo Prefeito, onde cada Folia se apresentaria pelo prazo mínimo de 10 minutos.

Em 1950 e 1951 apenas reuniu as Folias locais, premiando pessoalmente os Mestres com cortes de tecido. Em 1951 contou com a presença da Folia dos Andes, com o Palhaço Chiquinho, encantando a todos com sua “Dança das Facas”, e com as Folias de Rio Claro e Boa Esperança. Em 1952 o Torneio foi muito mais animado, organizado e vibrante. A premiação foi oferecida por vários patrocinadores da cidade, o que atraiu muitas Folias, iniciando assim uma nova era do Folclore local. Em 1952 o Palhaço vencedor foi Chiquinho dos Andes, com sua “Dança Apanha Café” e a “Dança das Facas”. A Cia Antártica ofereceu cinco caixas de “caçula” para os participantes. Assim iniciaram-se os Torneios.

Cada grupo é formado por 11 elementos representando os apóstolos, 1 Mestre da folia, um tipo de líder espiritual e 2 Palhaços, que representam Herodes e os soldados que perseguiram o Menino Jesus. Procuram se esmerar sob seus disfarces com lindas e exóticas fantasias adornadas com pêlos, ossos e muito brilho. Usam cetim nas cores azul, verde, vermelho e amarelo, com chapéus e andores enfeitados com fitas e pedacinhos de espelho. Os Palhaços usam roupas de chitão com estampas coloridas, túnica de babados e máscaras com couro de cabra, tudo feito por eles mesmos.

A principal característica das Folias são as figuras dos Palhaços, com grotescas máscaras, saracoteando à frente dos foliões e, segundo o povo, "são os espiões de Herodes". As belas e estranhas, às vezes assustadoras, máscaras dos Palhaços chamam a atenção e por isso costumam ser alvo de fotografias por sua rica estranheza.

Além das violas, da sanfona e da voz em lamento, as conhecidas “toadas”, seguem um ritmo que foi adotado pelas escolas de samba. Ao som do bumbo, do surdo e do tarel e também do violão, usam pandeiros e triângulos, ritmando o dançar do Palhaço e também a tira dos desafios.

Os grupos desfilam em procissão pela cidade e, um a um, dirigem-se enfileirados para a bênção na Matriz, exclusivamente reservada para receber as equipes das Folias, acompanhados pelo povo, visitantes e turistas encantados com tanta originalidade.

Porém os Palhaços não podem entrar na igreja, pois representam o mal, daí ficarem do lado de fora na hora da bênção enquanto são bombardeados pelos flashes das máquinas fotográficas dos espectadores.

Algumas famílias locais são pré-determinadas para receber cada uma destas folias após a bênção na igreja, colocando em sua porta uma bandeira e servindo cada qual um gostoso lanche para o grupo que hospeda, durante o qual os Palhaços fazem demonstrações, cantam e recitam, esperando uma pequena recompensa. Quanto mais o Palhaço pretende ganhar um dinheirinho, mais ele canta, dança, recita e faz piruetas.

Há alguns “causos” que contam os moradores. O mais terrível foi o contado por Nelson Guiotto, em seu livro “O Sonhador”. Há muitos anos, 12 foliões cantavam de casa em casa, cumprindo sua missão (contar a vida de Jesus através das letras de suas músicas, conforme a tradição) quando foram surpreendidos por um grande horror na Fazenda Santana, em Marapé, divisa com Orange. Pararam em frente à fazenda com suas violas afinadas e para avisar que se aproximavam o Palhaço deu uma gargalhada. O proprietário desagradado soltou os cães que saíram à caça dos participantes. O mais perseguido foi o Palhaço por estar com a Máscara do Demônio. Correu em disparada, mas ficou preso à cerca de arame farpado. Os companheiros afugentaram os cães, mas era tarde demais. O assassino ficou solto. Puseram a culpa nos cães. Dizem que às vezes a jaqueira da lagoa fica mal-assombrada no cair da tarde, na hora da Ave-Maria, pois alguns dizem ainda ouvir a gargalhada do pobre palhaço.

Outro “causo” foi contado pelo Mestre José Inácio, da Folia Estrela da Paz, este por sua vez de final feliz. Diferentemente do incidente acima, uma vez se aproximaram de uma fazenda onde o cachorro amarrado latira incessantemente à aproximação dos Foliões, em razão da chegada de tantas estranhas figuras ao pedaço. Acontece que ao começarem as toadas e as cantigas, o cão como por milagre começou a devolver o seu latido no ritmo das canções, como se respondesse em eco às orações. Outro cãozinho em outro relato também agitou-se à aproximação dos Foliões, mas assim que as cantigas soaram dos instrumentos na sua cadência típica deitou-se todo espichado de olhos fechados com o rabo em riste marcando o ritmo em um alegre tic-tac.

Parte da Programação do dia resume-se em: Chegada das Folias com café da manhã; Reunião com os Mestres; Almoço de Confraternização; Marcha das Folias; Benção dos Instrumentos; Caminhada para a Mangedoura (cantoria nas casas hospedeiras, acompanhada de lanche) e Entrega dos troféus e gratificações durante um congraçamento cheio de luz, música e alegria na Praça Geraldo Viana à noite. Ali os Foliões, os mestres, os Palhaços, as Bandeiras e os violeiros e os sanfoneiros têm oportunidade de se apresentar para o fervoroso público que a tudo assiste com encantamento, num espetáculo de cor e brilho inexplicável.

Muqui promove hoje este grande Encontro Anual de Folias , arregimentando mais de 90 grupos de várias procedências. As Folias ainda ativas são localizadas e cadastradas nos seus lugares de origem e, mesmo com as dificuldades da vida moderna, a crença popular fala mais alto e eles querem participar. Já são 57 anos de Folguedos. Conforme a opinião de especialistas, este evento é o mais antigo e hoje em dia o maior Encontro Folclórico do Brasil e que cresce a cada ano em razão das parcerias entre a Prefeitura Municipal e outros Órgãos Públicos. É uma manifestação popular das mais impressionantes já vistas e embora estejam espalhadas por todo território nacional é Muqui que vem sediando este folguedo mágico com tanta pompa e beleza.

 

 

 

 

 

 

 

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Ticumbi
 

TICUMBI

Guerras, espadas, combatentes, reis, nações, mouros e cristãos. Estes são alguns dos elementos que preenchem e dão sentido a dramaticidade do Ticumbi. Articulados pelo desafio que tenciona o teatro, mas também funciona como arquitetura e anfiteatro onde ressoam as falas, os corpos, os tempos e os espaços.

A própria estrutura do ticumbi revela dinâmicas específicas. Os reis são o eixo da dramaticidade. Eles se postam cada um em seu reino: mouro e cristão que irão se enfrentar até a conversão dos primeiros. A fala ecoa de um reino a outro por meio dos embaixadores ou secretários que se comportam e agem como “bobos da corte” prontos a desafiar verbalmente uma autoridade como um rei com insultos, falácias, jocosidades, guardando sua fidelidade à origem. Os reis são representados pelos embaixadores que percorrem “longas distâncias” mostrando fidelidade e lealdade ao seu senhor.
Entre um recado e outro há um corredor de cantores que recriam os reinos a serem atravessados.

São feitas visitas nas casas dos moradores locais. Amigos, companheiros de trabalho, compadres e comadres se prostram diante da visita de reis, dos rodopios, dos desafios e das honras dispensadas aquela casa. A tradição combina aqui vários tempos históricos oriundos da experiência coletiva e do contar junto.

A luta pela conversão dos pagãos (reis de Bamba) pelos cristãos (reis de Congo) serve de teatro dramático por meio do qual questões contemporâneas da comunidade de negros de Conceição da Barra são tratadas publicamente. A memória em constante movimento atualiza conteúdos e permite compreender a gramática das relações sociais. Assim, as letras das músicas embora mantenham a estrutura da conversão, nos permitem apreciar as lutas contemporâneas pela identidade negra, políticas públicas, reconhecimento da cultura local, tratadas com humor, irreverência e arte. O Ticumbi, apesar de ser tratado como manifestação folclórica – heranças e sobrevivências dos escravos -, revela estruturas de poder locais e tensões próprias do momento em que as comunidades negras recontextualizam suas identidades e lutam por direitos territoriais.

 

 

 

 

 

 

 

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Festa de São Benedito
 

FESTAS RELIGIOSAS


FESTA DE SÃO PEDRO

A Festa de São Pedro já se consolidou como uma das mais importantes festas do nosso Estado, atraindo moradores de várias localidades, o que vem contribuir para a divulgação da cidade de Vitória e sua cultura. Um dos pontos altos da festa é a procissão marítima, em homenagem ao padroeiro dos pescadores, São Pedro.

A VILLA DE SÃO PEDRO é o nome da cidade cenográfica que reproduz uma vila de pescadores montada próximo a Praça do Papa, local de amplo espaço físico e fácil acesso, onde há shows, apresentação de quadrilhas, restaurantes, barracas de comidas típicas, espaço cultural, e toda a infra-estrutura com posto médico, bancário, telefônico e estacionamento privativo. Também fazem parte da programação o Cine Villa (cineminha), a casa do pescador (espaço cultural dedicado ao pescador) e a mini-Fafi, onde acontecem várias apresentações de teatro, dança e música.

FESTA DE SÃO BENEDITO E SÃO SEBASTIÃO

Nos dias 18, 19 e 20 de janeiro, moradores e turistas de Nova Almeida, município de Serra (ES), invadem as ruas do balneário para cantar e dançar ao som dos tambores e casacas, no ritmo do congo capixaba. É a tradicional Festa de São Benedito e São Sebastião, que está entre as mais populares do Espírito Santo e reúne, num misto de fé, devoção e alegria, diversas bandas de congo da Grande Vitória, além de atrair milhares de turistas e admiradores da cultura popular capixaba.

Serão três dias de shows com atrações locais e nacionais, além da celebração de missas na histórica Igreja e Residência dos Reis Magos. Os festejos têm seu ponto alto no dia 20 de janeiro, quando inúmeras bandas de congo saem em procissão pelas ruas de Nova Almeida ao lado de uma réplica do navio “Palermo”, que é carregado por devotos dos santos católicos. Às margens do rio Reis Magos, a multidão de fiéis e turistas aguarda a chegada da procissão marítima, que traz consigo um dos principais símbolos dos festejos, um mastro de madeira todo pintado. Ele é então colocado pelos fiéis no “navio” sob muitos aplausos e cantos.

Depois disso, a multidão, formada por crianças, jovens e adultos, segue atrás das bandas de congo e do navio “Palermo” em nova procissão pelas principais avenidas do balneário até chegarem à praça da Igreja dos Reis Magos, onde acontece o momento mais bonito e emocionante da festa de São Benedito e São Sebastião. É a tão esperada hora da fincada do mastro. Após o ritual, uma linda queima de fogos nos arredores da Igreja dos Reis Magos enfeita os céus de Nova Almeida.

Origem dos festejos

Segundo diz a lenda, um navio negreiro que trazia escravos oriundos da África naufragou, em meio a uma tempestade, na costa de Nova Almeida. No entanto, os escravos que então ocupavam a embarcação se salvaram ao se agarrarem em um mastro de madeira. Esse fato, mais tarde, foi atribuído pelos católicos às orações dos escravos ao "santo preto" São Benedito, que viveu e morreu em Palermo, Itália, no século 16.

 

 

 

 

 

 

 

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Frade e a Freira
 

LENDAS CAPIXABAS


LENDA DO "FRADE E A FREIRA"

A pedra do Frade e da Freira é uma formação rochosa com 683 metros de altura, localizada na divisa dos municípios de Cachoeiro de Itapemirim e Rio Novo do Sul, próximo a BR 101, na região sul do estado do Espírito Santo. Ela é composta por montanhas geminadas que aparentemente formam as figuras de duas pessoas colocadas frente a frente como se estivessem conversando ou simplesmente se encarando, mostrando um quadro de tamanha beleza que se tornou motivo de cartões postais levados por turistas e pelos próprios capixabas, como recordação daquela paisagem bucólica e encantadora. Sobre a mesma criou-se uma lenda que vem de tempos antigos, ninguém sabe precisar quando, que nos conta a história de um frade que se apaixonou pela freira que com ele trabalhava na cristianização dos índios da região, e acabou sendo correspondido no amor que tomara de assalto o seu coração. Diz essa narrativa que Deus condoeu-se do sofrimento que martirizava esses seus dois servidores, e decidiu eternizar a paixão que os atraía um ao outro, transformando-os em pedra.

 

 

 

 

 

 

 

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Pássaro de fogo
 

LENDA DO "PÁSSARO DE FOGO"


Em tempos bem antigos, por volta de 1556, quando os Temiminós que vieram do Rio de Janeiro se instalaram no Espírito Santo, conta-se que dois jovens de tribos rivais se conheceram e antes que soubessem de suas origens e da rivalidade que existia em suas tribos, nasceu entre eles um amor tão forte e belo como o Sol.

Ela, Jaciara, uma lindíssima princesa indígena, filha do poderoso cacique que ocupava uma imensa terra, onde hoje encontramos o atual município de Cariacica.
Ele, Guaraci, um forte guerreiro da tribo dos Temiminós, que ocupava as terras hoje conhecida como município da Serra.

Quando esse amor chegou ao conhecimento das tribos, aumentou a rivalidade e a fúria dos caciques contra esse amor, que era incontrolável. O cacique indígena, pai da princesa, jamais aceitaria o enlace da sua querida filha, com o inimigo de seu povo, mesmo sabendo quanto era valioso o dote do noivo e da sinceridade da jura de seu amor.

Em conseqüência criou-se uma barreira intransponível entre as terras das duas tribos e os jovens não podiam de maneira alguma chegar próximo dessa divisa.

Mas o amor, quando sincero e forte, é algo que ultrapassa qualquer barreira e sempre encontra um aliado. Foi o que aconteceu. Os apaixonados conseguiram a ajuda de uma ave misteriosa, o Pássaro de Fogo, que em horas determinadas, levava o casal a pequenos montes em pontos de fronteira de suas tribos, onde ambos se viam. Então a índia cantava juras de amor ao seu escolhido e ele retribuía da mesma maneira com cantigas que tocavam seus corações.

Continuaram assim, nesse amor poético e passando o tempo, combinaram uma fuga. Quando chegou ao conhecimento do cacique indígena a fuga romântica de sua filha foi o bastante para reunirem todos os sábios conselheiros da tribo e um feiticeiro, que transformou os apaixonados em pedra nos referidos locais onde se avistavam. Estes se elevaram e constituíram dois belos e lendários montes, muito importantes no litoral capixaba, que conhecemos como: MOCHUARA, (ou MUXUARA) a princesa, em Cariacica, e o MESTRE ÁLVARO, o príncipe, na Serra.

Porém, uma fada compadecida de um destino tão cruel, concedeu uma trégua aos enamorados, na rigidez de suas posições e assim uma vez ao ano, na noite de São João, os jovens recuperam de forma invisível, sua forma humana e primitiva, ocasião em que fazem juras de fidelidade e presenteiam-se com ricas jóias e outros mimos, sempre com a ajuda da ave amiga, o Pássaro de fogo, ave mensageira entre os apaixonados. Levando de um para o outro as juras de amor e os presentes, que atestam a sinceridade infinita.

Assim, conta a história, conta a Lenda, que na noite de São João, o Pássaro de Fogo, passa no céu, e vai do MOXUARA, em Cariacica, ao MESTRE ÁLVARO, na Serra e vice versa. E continuam a VIAGEM DO FOGO, descrevendo no espaço, a ETERNIDADE DO AMOR.

 

 

 

 

 

 

 

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Convento da Penha
 

LENDAS DA PENHA

Sendo o convento de Nossa Senhora da Penha o mais notável monumento religioso do Espírito Santo, era natural que surgisse sobre ele, sobre sua padroeira e sobre o próprio frei Pedro Palácios, fundador do santuário, um conjunto de lendas populares.

Uma dessas lendas fala do desaparecimento, por três vezes consecutivas, do quadro de Nossa Senhora, que frei Pedro trouxera consigo, quando, em 1558, chegou ao Espírito Santo. E por três vezes o quadro foi encontrado no alto da penha, numa evidente revelação de que era ali que o frei deveria construir o convento, num ponto situado entre duas palmeiras. Por isso, a primeira igrejinha, que deu origem ao convento da Penha, foi conhecida com o nome de ermida das Palmeiras. Para sua edificação contou frei Pedro com a ajuda de moradores da vila do Espírito Santo.

Outra lenda fala da fonte de Nossa Senhora que brotou no alto do penhasco, logo que a construção do convento teve início, possibilitando a realização das obras. A fonte estancou depois que as obras terminaram. É também conhecida a lenda de que frei Pedro Palácios vivia, na companhia de um gato e de um cachorro, na capelinha de São Francisco, que o frade construiu no campinho, no morro da penha. Conta esta lenda que, quando o religioso tinha de se ausentar do morro por algum tempo, deixava, para seus companheiros comer, tantos bolinhos de farinha quantos seriam os dias de sua ausência. E os animais comiam apenas cada uma das suas rações diárias, sendo a última delas no regresso do frei.

Sobre a imagem de Nossa Senhora da Penha existe a lenda de que a pessoa a quem frei Pedro encarregou de fazer a sua encomenda, em Portugal, esqueceu de fazê-lo. Na véspera de voltar para o Espírito Santo, esse encarregado recebeu, de um desconhecido, a imagem de Nossa Senhora, esculpida em madeira de acordo com as indicações de Frei Pedro. Faz parte também do lendário da Penha a visão que tiveram os holandeses, no século XVII, quando, ao tentar assaltar o convento, foram impedidos por soldados a pé e a cavalo que desciam das nuvens, em torno do santuário, para fazer a sua defesa. Esta lenda serviu de inspiração ao pintor Benedito Calixto, para um dos quadros que se acha exposto na galeria ao lado da igreja do convento. Ali está também, do mesmo autor, outro painel que tem por motivo a procissão marítima que conduziu a imagem de Nossa Senhora da Penha até Vitória, para acabar com a grande seca de 1769 que afetava a sede da capitania que estorricava as matas dos seus morros, enquanto a do convento se mantinha viçosa. Diz a lenda que, logo após a procissão, a chuva caiu.